Negação da negritude
implicações subjetivas e caminhos de resistência simbólica
DOI:
https://doi.org/10.59099/prpub.2025.124Palavras-chave:
Negritude negativada, subjetividade negra, psicanálise, racismo, resistência simbólicaResumo
Este artigo tem como objetivo analisar os mecanismos de negação da negritude e as modalidades de sofrimento, articulando psicanálise e estudos raciais críticos. A relevância da investigação reside em compreender como o racismo, para além de fenômeno social, atua como trauma estrutural que molda a subjetividade negra. O estudo adota método qualitativo e interpretativo, fundamentado na análise de obras de Neusa Santos Souza, Lia Vainer Schucman e Grada Kilomba, em diálogo com autoras e autores como Sueli Carneiro, Lélia Gonzalez, Fanon, Mbembe e Freud. Os resultados evidenciam que alienação, clivagem, recalque e repetição traumática atravessam a experiência negra, perpetuando exclusão e silenciamento. A discussão aponta que narrar a dor, investir no letramento racial e valorizar saberes ancestrais são estratégias de resistência e cura simbólica. Conclui-se que o enfrentamento do racismo exige ação política e elaboração subjetiva, reafirmando a identidade negra como potência.
Referências
Bastide, R., & Fernandes, F. (1959). Brancos e Negros em São Paulo (2a edição, Vol. 305). Companhia Editora Nacional. https://bdor.sibi.ufrj.br/bitstream/doc/353/1/305%20PDF%20-%20OCR%20-%20RED.pdf
Césaire, A. (1978). Discurso sobre o colonialismo. Sá da Costa.
Fanon, F. (2020). Pele negra, máscaras brancas. Ubu. (Trabalho original publicado em 1952).
Ferreira, L. F. (2006). “Negritude”, “negridade”, “negrícia”: história e sentidos de Três conceitos viajantes. Via Atlântica, 7(1), 163–184. https://doi.org/10.11606/VA.V0I9.50048
Freud, S. (2010). História de uma neurose infantil (“O homem dos lobos”), Além do princípio do prazer e outros textos (1917-1920). Companhia das Letras.
Freud, S. (2011a). O eu e o id, “autobiografia” e outros textos (1923-1925). Companhia das Letras. (Trabalho original publicado em 1925)
Freud, S. (2011b). Psicologia das massas e análise do eu e outros textos (1920-1923). Companhia das Letras. (Trabalho original publicado em 1923)
Freud, S. (2018). Moisés e o monoteísmo, Compêndio de psicanálise e outros textos (1937-1939). Companhia das Letras. (Trabalho original publicado em 1938)
Kilomba, G. (2021). Memórias de plantação: episódios de racismo cotidiano (2a ed.). Cobogó.
Mbembe, A. (2018). Necropolítica (3a ed.). n-1.
Munanga, K. (2023, junho 26). Afinal, o que é a negritude? Sesc SP. https://www.sescsp.org.br/editorial/o-que-e-negritude
Pereira, L. T. G. (2025). Famílias inter-raciais: a estrutura racial em discursos e práticas. https://doi.org/10.11606/D.47.2025.TDE-18082025-174345
Rosa, M. D. (2004). A pesquisa psicanalítica dos fenômenos sociais e políticos: metodologia e fundamentação teórica. Revista Mal-Estar e Subjetividade, 4(2), 329–348. https://ojs.unifor.br/rmes/article/view/1509
Rosa, M. D. (2022). Sofrimento Sociopolítico, Silenciamento e a Clínica Psicanalítica. Psicologia: Ciência e Profissão, 42, 1–10. https://doi.org/10.1590/1982-3703003242179
Schucman, L. V. (2018). Famílias inter-raciais: tensões entre cor e amor. EDUFBA.
Souza, N. S. (2021). Tornar-se negro: as vicissitudes da identidade do negro brasileiro em ascensão social. Zahar. (Trabalho original publicado em 1982)
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Lohanna Thais Gomes Pereira, Camila de Albuquerque Alves da Silva, Enoe Isabela Baía de Moraes, Miriam Debieux Rosa

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Os autores concordam com os seguintes termos da PLURAL – Revista de Psicologia UNESP Bauru:
Os artigos enviados devem ser originais e serão publicados pela primeira vez pela Revista Plural, mas os autores manterão os direitos autorais. O trabalho será simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution CC-By 4.0 Internacional para permitir o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e primeira publicação por essa revista.
Existe autorização para os autores assumirem contratos adicionais separadamente, exemplo, publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro, contanto que esteja discriminado e registrado tanto o reconhecimento de autoria como o de publicação inicial nessa revista.
Existe a permissão e o estímulo para os autores publicarem e distribuírem seu trabalho online em repositórios institucionais (pré-prints) ou na sua página pessoal.



